Biblioteca

Voltar

Dissertação

Influência da atrofia do rebordo alveolar mandibular sobre a força de mordida, performance mastigatória e qualidade de vida em usuários de prótese total mucossuportada: estudo transversal

Aluno: Iany Macacchero Detoni
Orientador(a): Profa. Dra. Ivete Aparecida de Mattias Sartori
Área: Implantodontia
Ano: 2026

RESUMO
Introdução: A atrofia do rebordo residual mandibular pode afetar a reabilitação funcional de indivíduos
totalmente edêntulos usuários de próteses totais mucossuportadas. Entretanto, seu impacto sobre
diferentes desfechos clínicos e relatados pelo paciente ainda não é consistentemente evidente entre os
estudos.
Objetivo: Comparar indivíduos totalmente edêntulos usuários de próteses totais mucossuportadas, com
rebordos mandibulares atróficos e não atróficos, quanto à força de mordida, performance mastigatória
e qualidade de vida relacionada à saúde bucal (QVRSB).
Métodos: Este estudo transversal incluiu 17 indivíduos totalmente edêntulos, usuários de próteses totais
mucossuportadas há pelo menos 3 meses. Os participantes foram classificados em dois grupos: rebordo
mandibular atrófico (G1; n = 9) e rebordo mandibular não atrófico (G2; n = 8), com base em
mensurações anatômicas em radiografias panorâmicas. A performance mastigatória foi avaliada por
meio de goma de mascar bicromática após 10, 20 e 40 ciclos mastigatórios, e a variação de matiz (VOH)
calculada com o software ViewGum®. A força de mordida foi mensurada na região de molares com
gnatodinamômetro. A QVRSB foi avaliada pelos questionários OHIP-EDENT e GOHAI. As
comparações entre os grupos foram realizadas com nível de significância de 5%, e os tamanhos de efeito
foram calculados.
Resultados: Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre os grupos quanto à
performance mastigatória nos ciclos de 10, 20 ou 40 mastigações. Os valores de VOH reduziram
progressivamente com o aumento do número de ciclos mastigatórios em ambos os grupos. Os escores
de OHIP-EDENT e GOHAI também não diferiram significativamente entre os grupos, com tamanhos
de efeito pequenos ou desprezíveis. A força de mordida foi significativamente maior no grupo não
atrófico (6,48 ± 2,37 kgf) em comparação ao grupo atrófico (3,90 ± 1,97 kgf; p = 0,027), com tamanho
de efeito elevado (d de Cohen = –1,19).
Conclusão: Nesta amostra, a atrofia do rebordo mandibular esteve associada à menor força de mordida
em usuários de prótese total mucossuportada. Entretanto, essa diferença não foi acompanhada por pior
performance mastigatória ou pior QVRSB. Esses achados sugerem que a condição do rebordo
mandibular pode afetar desfechos biomecânicos específicos, sem necessariamente se traduzir em
diferenças proporcionais no desempenho funcional ou na percepção subjetiva da saúde bucal.