Dentifrícios Bioativos no Manejo da Erosão Dentária: Revisão de Literatura
Aluno: Bruna Caroline de Sousa Coura
Orientador(a): Prof. Dr. Cristian Higashi
Área: Dentística
Ano: 2026
RESUMO
A erosão dental (ED) é definida como a perda crônica e irreversível de tecido dentário duro causada por ácidos de origem extrínseca ou intrínseca, sem envolvimento bacteriano. Apresenta alta prevalência e pode resultar em sensibilidade dentinária, comprometimento estético e funcional, além de impacto negativo na qualidade de vida. O esmalte erodido torna-se mais vulnerável à ação de desgastes mecânicos, como abrasão e atrição, intensificando a perda estrutural. Diante desse contexto, estratégias preventivas não restauradoras são fundamentais para o controle da doença.
O presente estudo teve como objetivo avaliar, por meio de revisão de literatura, o potencial de dentifrícios contendo vidros bioativos à base de cálcio e fosfato na prevenção e no controle da erosão dental, considerando sua capacidade remineralizadora e de formação de camada protetora sobre a superfície dentária. A busca foi realizada nas bases Medline/PubMed, Web of Science, Scopus, Embase e LILACS, incluindo publicações entre 2020 e 2022, com atualização em 2025.
Os achados demonstram que, embora o flúor seja essencial na formulação dos dentifrícios e atue na inibição da desmineralização, sua eficácia isolada frente à erosão é limitada. Em contrapartida, agentes bioativos como CPP-ACP, compostos de silicato e fosfato de cálcio e, especialmente, os vidros bioativos, apresentaram resultados promissores na redução da perda de esmalte e no aumento da microdureza superficial após desafios erosivos e erosivo-abrasivos. O biovidro 45S5 evidenciou capacidade de liberar íons cálcio e fosfato, favorecendo a formação de hidroxiapatita e aumentando a resistência do esmalte. Modificações composicionais, como a adição de estrôncio, magnésio e titânio, mostraram potencial para otimizar propriedades físico-químicas e bioativas.
Conclui-se que dentifrícios contendo vidros bioativos configuram uma abordagem promissora no manejo preventivo da erosão dental, especialmente quando associados ao flúor. Entretanto, a consolidação de sua aplicação clínica requer estudos de longo prazo que confirmem sua eficácia em condições reais de uso.