Análise clínica comparativa entre implantes de zircónia e de titânio em reabilitações unitárias: uma revisão sistemática e metanálise
Aluno: Andrei Correa Guandalini
Orientador(a): Prof. Dr. Elcio Marcantonio Junior
Área: Implantodontia
Ano: 2026
RESUMO
Objetivos: Avaliar comparativamente o desempenho clínico, radiográfico e estético de implantes dentários de zircônia e titânio utilizados em reabilitações unitárias, através de uma revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados (ECRs).
Material e Métodos: Esta revisão sistemática foi realizada de acordo com as diretrizes PRISMA 2020 e registada no PROSPERO (CRD42024541703). Foram incluídos apenas ECRs que compararam diretamente implantes de zircônia e titânio em reabilitações unitárias, com um acompanhamento mínimo de 12 meses após a instalação protética. As buscas foram realizadas em dez bases de dados eletrônicas até janeiro de 2025. O risco de viés foi avaliado utilizando a ferramenta Cochrane RoB 2. Foi realizada uma meta-análise de efeitos aleatórios para a perda óssea marginal (MBL), profundidade de sondagem peri-implantar (PPD) e resultados estéticos avaliados pelo Pink Esthetic Score (PES). A certeza da evidência foi avaliada utilizando a abordagem GRADE.
Resultados: Oito ECRs preencheram os critérios de elegibilidade. A análise qualitativa indicou uma maior incidência de fraturas e falhas mecânicas associadas aos implantes de zircónia em estudos com acompanhamento mais longo. A síntese quantitativa não revelou diferenças estatisticamente significativas entre os implantes de zircônia e titânio na MBL (MD = -0,02 mm; IC 95%: -0,22 a 0,19; p = 0,88), PPD (MD = -0,01 mm; IC 95%: -0,28 a 0,26; p = 0,94) ou resultados estéticos (MD = 0,11; IC 95%: -0,59 a 0,82; p = 0,75). A sobrevivência dos implantes foi comparável no curto prazo, mas a zircônia apresentou maior variabilidade em períodos de observação prolongados.
Conclusões: Os implantes de zircônia apresentam um comportamento clínico e radiográfico semelhante aos de titânio em restaurações unitárias no curto e médio prazo. No entanto, o risco superior de complicações mecânicas em implantes de zircônia deve ser considerado no planeamento clínico. São necessários mais estudos de longo prazo para confirmar a estabilidade biomecânica deste material.