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Dissertação

Influência Da Manutenção Periódica E Do Desenho Protético Sobre Complicações E Qualidade De Vida Em Reabilitações Maxilares Implantossuportadas: Estudo Transversal Retrospectivo

Aluno: Mary Stella Kivel Dias Vitório
Orientador(a): Profa. Dra. Elisa Mattias Sartori
Área: Implantodontia
Ano: 2026

RESUMO

Objetivo: Avaliar a associação entre a frequência de consultas de manutenção e características do desenho protético com a ocorrência de complicações mecânicas e biológicas, bem como com a qualidade de vida de pacientes reabilitados com próteses híbridas metaloplásticas maxilares implantossuportadas.

Materiais e Métodos: Este estudo observacional transversal retrospectivo incluiu pacientes reabilitados com próteses totais fixas implantossuportadas maxilares, acompanhados em programa institucional de manutenção. Foram coletados dados demográficos, clínicos e protéticos, incluindo tempo de função, frequência de manutenção, número e características dos implantes, dimensões protéticas e ocorrência de complicações mecânicas e biológicas. A avaliação clínica incluiu análise da estabilidade protética, necessidade de ajuste oclusal e presença de biofilme na superfície interna da prótese, cuja geometria foi classificada como convexa ou côncava. A qualidade de vida foi avaliada por meio do OHIP-14 e escala visual analógica (EVA). As análises estatísticas foram realizadas com nível de significância de 5%.

Resultados: Trinta e dois pacientes, totalizando 155 implantes, foram avaliados, com taxa de sobrevivência de 96,13%. Observou-se baixa incidência de complicações mecânicas e biológicas, ausência de mobilidade dos implantes e necessidade de ajuste oclusal em 21,9% das próteses. Maior extensão anterior da prótese esteve significativamente associada à ocorrência de complicações no parafuso protético (p=0,024). A maioria das superfícies internas das próteses apresentou desenho convexo (97,8%); entretanto, placa mole foi observada em 56,0% das áreas avaliadas, indicando que desenho protético favorável, isoladamente, não impediu acúmulo de biofilme. A adesão à manutenção periódica foi limitada, com predomínio de pacientes em primeira consulta ou com intervalos prolongados entre acompanhamentos. Os pacientes apresentaram elevada satisfação com o tratamento e baixo impacto na qualidade de vida (OHIP-14: 1,18±1,29).

Conclusão: Reabilitações maxilares com próteses híbridas metaloplásticas parafusadas finais apresentaram alta previsibilidade clínica, elevada sobrevivência e baixos índices de complicações. Maior extensão anterior esteve associada a maior risco de complicações mecânicas, reforçando a importância do planejamento biomecânico. Apesar do predomínio de superfícies convexas, a elevada

presença de biofilme e a baixa adesão à manutenção periódica demonstraram que longevidade clínica e estabilidade biológica dependem da integração entre desenho protético adequado e acompanhamento preventivo contínuo.