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Dissertação

Reabilitação de Arco Total Superior Atrófico com Implantes zigomáticos e Implantes Curtos: Análise de Elementos Finitos

Aluno: José Luis Zaravia Quispe
Orientador(a): Prof. Dr. Luis Eduardo Marques Padovan
Área: Implantodontia
Ano: 2025

RESUMO

 

A reabilitação de maxilas atróficas representa um desafio clínico devido à limitada disponibilidade óssea para a instalação de implantes convencionais. Entre as alternativas, destacam-se os implantes curtos, indicados para áreas com altura óssea reduzida, e os implantes zigomáticos, que possibilitam ancoragem em regiões extra-maxilares de maior densidade. A associação dessas duas abordagens surge como uma estratégia promissora para o restabelecimento funcional e estético em situações de elevada complexidade. O objetivo deste estudo foi avaliar, por meio da análise tridimensional por elementos finitos, a distribuição das tensões em um modelo de maxila atrófica reabilitado com prótese fixa implantossuportada, utilizando implantes curtos posicionados em incisivos e caninos e implantes zigomáticos ancorados na região de segundos pré-molares. Para isso, foi desenvolvido um modelo tridimensional da maxila atrófica a partir de reconstruções em softwares de modelagem (Meshmixer®, Autodesk Inventor® e Space Claim®). A malha final apresentou 2.417.162 nós e 1.568.854 elementos, valores considerados adequados para garantir a precisão da análise. As propriedades mecânicas atribuídas aos materiais seguiram a literatura prévia, considerando o osso como isotrópico, homogêneo e linearmente elástico, com limite elástico de 170 MPa para o osso tipo II. A simulação contemplou a aplicação de uma carga estática de 100 N bilateralmente sobre os cantilevers na região dos primeiros molares, representando uma condição funcional de carga mastigatória. Os resultados demonstraram que os implantes zigomáticos concentraram as maiores tensões nos próprios implantes (252,33 MPa e 216,4 MPa), enquanto os implantes curtos apresentaram valores significativamente menores (94–110 MPa). No tecido ósseo, as tensões máximas ao redor dos zigomáticos atingiram 30,13 MPa, contrastando com valores entre 3,5 e 11,25 MPa próximos aos implantes curtos, permanecendo abaixo do limite elástico do osso tipo II. Os componentes intermediários apresentaram tensões entre 147 e 177 MPa, e os parafusos protéticos atingiram até 207 MPa, destacando-se como pontos críticos potenciais de falha mecânica. A barra protética mostrou tensão máxima de 117,97 MPa, confirmando seu papel na dissipação equilibrada das cargas entre os implantes. Conclui-se que a associação de implantes curtos em região anterior e implantes zigomáticos em região posterior constitui uma alternativa biomecanicamente eficiente para a reabilitação de maxilas severamente atróficas, promovendo dissipação homogênea das cargas mastigatórias, evitando enxertos ósseos extensos e ampliando a previsibilidade do tratamento.

Palvras-chave:

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